O PARANOÁ

A Vila Paranoá foi um dos acampamentos remanescentes da época da construção de Brasília. Foi fundada em1957, quando da implantação dos canteiros de obras para a construção da Barragem do Lago Paranoá. Após a inauguração de Brasília, em 1960, os habitantes permaneceram no local, devido à necessidade de conclusão das obras da usina hidrelétrica. Ao longo dos anos, foram agregando-se à estrutura do antigo acampamento vilas de moradias. Na década de 1980, era considerada uma das maiores invasões do Distrito Federal. O Paranoá foi fixado mediante Decreto do Governo do Distrito Federal, como consequência da longa trajetória de resistência e luta dos moradores. No entanto, a fixação não ocorreu na área original. Tem uma população de aproximadamente 46 mil pessoas, bem localizada e particularmente planejada com uma avenida que corta toda cidade, com várias quadras e praças para o lazer.

As missas eram realizadas em um barracão e, após mobilização da comunidade, foi construída a Igreja São Geraldo. Na antiga área, restaram alguns edifícios públicos e comunitários, entre eles, a Igreja São Geraldo, erguida durante o período da construção da barragem.

Após a fixação da Vila Paranoá, a área do antigo acampamento tornou-se um parque ecológico, aprovado pelo então Conselho de Arquitetura, Urbanismo e Meio Ambiente (Cauma) em 3 de junho de 1992 e instituído pelo Governo do Distrito Federal por meio do Decreto 15899/94.  O objetivo dessa área do parque é preservar a vegetação da antiga Vila, árvores frutíferas plantadas pelas famílias e as edificações remanescentes como memória do antigo espaço. O Parque Vivencial de Paranoá é um marco histórico para a memória daquele núcleo pioneiro. Sua preservação e valorização, como testemunho da construção de Brasília, partiu de reivindicação da própria comunidade que residia no local.

No final da década de 1970, a construção inicial sofreu acréscimo de duas outras construções precárias, que serviram para abrigar as funções paroquiais. Essa intervenção alterou a forma original e não compõe o volume do bem tombado.

Em 1993, a Igreja São Geraldo, símbolo da fixação, foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Distrito Federal, pelo decreto 15156/93. Em 2005 ela desabou, restando apenas as antigas escadas.